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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Introdução ao Capitalismo

Negociantes trabalham no Pregão
Negociantes trabalham no Pregão da Bolsa de Valores de Nova York. Nem mesmo os Estados Unidos têm uma economia verdadeiramente capitalista.
Para muitos de nós, o verdadeiro impulso da economia é o saldo da nossa conta bancária, mas acontecimentos como o fiasco da Enron, a proposta de privatização da Previdência Social (em inglês) e o desastre do crédito hipotecário de alto risco (em inglês) atraíram o interesse popular pela economia de um modo que se vê somente no rastro de uma quebra da bolsa de valores. A economia, e mais especificamente o capitalismo, está cada vez mais próxima de nós.
A essência do capitalismo é a liberdade econômica. Práticas como empréstimos hipotecários de alto risco e fraudes corporativas são efeitos colaterais de um sistema que gira em torno do direito que as pessoas têm de alcançar seus objetivos financeiros sem o envolvimento do governo. Adam Smith, um dos teóricos mais influentes da economia moderna, responsável pela Teoria do Liberalismo Econômico, pode ter desejado separar a economia da política, entretanto, a economia está fortemente ligada a idéias que discutem a posição do indivíduo na sociedade, logo, essa ligação tem muito a ver com política.

Há, na verdade, somente duas abordagens básicas em um sistema econômico moderno (sem base em permutas), embora possamos encontrar infinitas variações dessas duas abordagens por todo o mundo. Um tipo de economia é a economia de livre mercado. Isso é o capitalismo. O outro tipo é a economia planejada, que algumas pessoas chamam de economiacomandada ou economia Marxista





Comprar, comprar, comprar!

O capitalismo se cria e prospera em uma cultura consumista. Se ninguém compra os produtos, o sistema quebra. Os efeitos sociais de uma sociedade que se define pelo que compra ou possui (e não pelo que cria) podem ser vistos no difundido e astronômico saldo devedor de um cartão de crédito e, em alguns casos, no radicalismo para se obter bens materiais.

Ironicamente, em 1904, o economista político alemão Max Weberligou o desenvolvimento do capitalismo moderno à elevação da ética puritana do trabalho, que rejeita abertamente a acumulação de riquezas. Ele concluiu que o Protestantismo e a ética Puritana do trabalho abriram caminho para o capitalismo através da busca da integridade espiritual em todos os setores da vida cotidiana.

O capitalismo real: a idéia

Antes da Revolução Industrial (em inglês), países como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos tinham economias verdadeiramente capitalistas. Mas com a industrialização, no entanto, vieram as empresas exploradoras, os protestos sociais e a conseqüente intervenção do governo na forma de leis trabalhistas mais justas. Foi aí que o verdadeiro capitalismo acabou.Nesse artigo, vamos explorar o capitalismo: suas raízes, seus princípios e efeitos, seus benefícios e fraquezas. Vamos descobrir como o capitalismo se compara aos métodos alternativos de se fazer negócios. A propósito, os Estados Unidos não praticam realmente o capitalismo. Ninguém pratica o capitalismo atualmente.





A Revolução Industrial
A Revolução Industrial trouxe o fim do verdadeiro capitalismo

Atualmente, as economias das nações normalmente conhecidas como capitalistas são, na verdade, economias mistas. Elas incorporam certos aspectos do capitalismo e certos aspectos das economias planejadas. No capitalismo puro, aspectos como leis trabalhistas infantis, Previdência Social, práticas de contratação anti-discriminatórias e salário mínimo não têm espaço. O capitalismo rejeita todas as intervenções governamentais em assuntos econômicos. A base do capitalismo é o individualismo
O sistema econômico se origina dos ideais humanísticos do Iluminismo europeu do século 18, nos quais cada ser humano é um indivíduo único e valioso. Esse modo de pensar foi um ponto decisivo. Antes do Iluminismo, os governos não discutiam sobre os direitos humanos. Porém, nessa visão da humanidade, uma sociedade composta de indivíduos únicos que buscam os seus interesses pessoais é saudável. Tal sociedade se caracteriza pelo progresso, pelas riquezas espirituais e mundanas e pela liberdade. Os indivíduos não são apenas livres para buscar objetivos de interesse próprio; eles devem buscá-los.
É fácil observar como essa mudança na consciência social se tornou a base do capitalismo. Se o interesse próprio é algo bom e a riqueza pessoal é um objetivo de interesse pessoal, então, a riqueza pessoal difundida é uma coisa boa. E se o bem-estar individual leva ao bem-estar social geral, então, a riqueza individual leva à riqueza social geral.
A visão filosófica acrescentada, que alterou o conceito social do individualismo no conceito econômico do capitalismo se originou de Adam Smith, no fim do século 16. Seu livro, "Uma Investigação sobre a Natureza e Causas da Riqueza das Nações", teve um grande efeito sobre os princípios econômicos. Antes de Smith, o interesse econômico próprio do indivíduo era visto como contraproducente ou, no mínimo, não-contribuinte, para o bem-estar econômico da sociedade como um todo. Smith não concordava com essa crença. Ele sugeriu dois conceitos que acabaram se tornando a base do capitalismo.

Devido ao fato de o interesse próprio guiar os fabricantes a criarem exatamente o que as pessoas querem, a busca pelo ganho pessoal acaba por beneficiar a sociedade.

Uma economia tem um projeto natural. Provida de seus próprios artifícios e separada da política, da religião e de quaisquer outras atividades, ela se auto-regulará. Desde que ninguém frustre o intento, a economia irá funcionar eficientemente e todos irão se beneficiar.
A visão geral de Smith é a de que uma "mão invisível" guia a economia através da combinação do interesse próprio, da propriedade privada e da competição. O fim desse equilíbrio natural da economia é a riqueza social geral, ou seja, todos se beneficiam.
O capitalismo real: a prática
No modelo de Smith, há uma ordem econômica natural que produz o bem maior. A interferência do governo interrompe essa ordem natural. Veja a seguir como funciona esse modelo.
Há uma classe proprietária - os meios de produção (capital) são possuídos apenas por poucas pessoas (capitalistas) que podem pagar por eles. Entre os meios de produção estão máquinas, fábricas e terras.
Há uma classe trabalhadora - o povo (trabalhadores) usa o capital para produzir bens e não tem posse de tal capital. Os capitalistas pagam os trabalhadores com salários (dinheiro) e não com os produtos que os trabalhadores produzem. Os trabalhadores usam esse dinheiro para comprar os bens que quiserem. Dessa maneira, ninguém que adquira bens (o consumidor) tem qualquer conexão real a tais bens
O cálculo racional do lucro orienta a produção - os capitalistas tentam avaliar o mercado e reajustar a produção adequadamente, de modo a realizar o maior lucro possível
A sociedade é composta de consumidores - devido às pessoas não estarem ligadas aos bens que produzem, o processo de compra, e não de criação, torna-se o modo principal de como as pessoas se definem.
Quanto mais lucro os capitalistas produzem, mais bens são produzidos. Quanto mais bens os capitalistas produzem, menores os preços desses bens. Quanto mais baixos os preços dos bens, mais as pessoas podem comprar e mais alto o padrão de vida em toda a sociedade.
O único papel real do governo no capitalismo é manter a paz e a ordem para que a economia possa funcionar sem interrupções. Esse sistema econômico de laissez-faire (anti-interferência) depende de redes de produtores, consumidores e mercados interconectados e auto-regulatórios que operem segundo os princípios de oferta e demanda.
Essencialmente, quando mais pessoas querem algo, a oferta diminui e o preço aumenta. Quando menos pessoas querem algo, a oferta aumenta e o preço diminui. No fim das contas, tudo é uma questão de alcançar lucro. O lucro resulta da obtenção ou produção de bens por um preço menor do que o preço de venda. Esse valor principal do capitalismo vem de uma prática conhecida como mercantilismo.
Terminologia do capitalismo
Capitalismo financeiro Sistema econômico em que o produto é o dinheiro, e não bens. Os lucros são obtidos por meio da compra e venda de moedas estrangeiras e produtos financeiros como ações e títulos.
Economia Marxista (ou economia planejada).

No fim do século 19, Karl Marx propôs um sistema econômico anti-capitalista. Ao invés da propriedade privada para ganho pessoal, Marx promovia a propriedade pública para ganho coletivo, ou seja, bens distribuídos por toda a sociedade com base na necessidade. O Marxismo é a base dos sistemas econômicos comunistas da antiga URSS e, até recentemente, da China.
Economia mista Sistema que incorpora componentes do capitalismo puro e componentes de uma economia planejada.



Capitalismo monopolista Sistema em que os meios de produção são todos de propriedade privada de enormes conglomerados empresariais que geram lucros exorbitantes ao eliminar a competição do mercado livre.


Capitalismo puro (consulte também economia laissez-faire, economia de mercado ou livre mercado) - sistema no qual o governo não interfere. O sistema funciona segundo o princípio de um livre mercado, no qual todas as transações financeiras são controladas por produtores privados e por consumidores. Por meio da propriedade privada, da competição e do interesse próprio, a economia atinge um equilíbrio natural e mantém o bem econômico geral.


Capitalismo de Estado Sistema econômico no qual os meios de produção são de propriedade privada, mas no qual o Estado controla o mercado em vários níveis.
A ascensão do capitalismo
Ao contrário do capitalismo, que gira ao redor da produção, o mercantilismo gira ao redor do comércio. O núcleo do mercantilismo é a simples prática de vender algo por um preço maior do que você pagou. Ele é baseado no conceito de lucro e se originou da mobilidade do homem.
O mercador veneziano Marco Polo
O mercantilismo prosperou nas sociedades bem organizadas da Roma antiga (em inglês) e do Oriente Médio. Enquanto a maioria do mundo ainda trabalhava segundo o sistema de troca local de bens, os comerciantes dessas culturas levavam os bens de um lugar para o outro, o que possibilitava que eles lucrassem.Se algo como cerâmica ou trigo fosse abundante em um local, mas escasso em uma cidade distante, os comerciantes levavam esses bens para as cidades onde poderiam obter um preço mais alto. Esse tipo de mobilidade econômica era possível devido à paz e à ordem relativas dessas sociedades bem desenvolvidas.No século 5, o declínio do Império Romano também significou o declínio do mercantilismo na Europa. Porém, o mercantilismo continuou a prosperar em toda a Arábia. Os árabes, que eram predominantemente islâmicos, estavam perfeitamente localizados para obter lucro conforme os bens eram transportados pelas rotas de comércio do Oriente Médio entre o Egito (em inglês), a Pérsia (em inglês) e, posteriormente, pelos Impérios Romano e Otomano (em inglês). A rápida expansão do islamismo nos anos 700 levou a prática do mercantilismo à África, à Ásia e para partes do sul da Europa. A partir da Espanha (em inglês) e de Portugal (em inglês), o mercantilismo se espalhou para o resto da Europa, que retomou seu sistema econômico mercantil por volta do século 14. Durante os 500 anos seguintes, o mercantilismo se tornou o que hoje chamamos de capitalismo.

Economia em expansão

O capitalismo vai claramente além da economia. É impossível discutir o capitalismo sem discutir opiniões políticas e sociais. O capitalismo é fundamentado em opiniões sobre os direitos individuais, a liberdade e a natureza humana. No capitalismo teórico, o mundo gira em torno do indivíduo. O indivíduo é inerentemente bom e o interesse próprio do indivíduo beneficia a sociedade como um todo.A partir do início do século 20, os governos começaram a intervir para proteger a classe trabalhadora da classe proprietária. Nos Estados Unidos, o Congresso aprovou leis que tornavam ilegal o trabalho infantil, reduziam a duração do dia útil e baniam os monopólios. Para alguns, as leis antitruste (em inglês) dos anos 20 pareciam ir contra os valores do capitalismo, o que em parte era verdade. No entanto, a competição também é crucial para a auto-regulação necessária ao capitalismo. Os monopólios eliminam a competição, o que significa que a economia não se encontra mais em seu estado natural.No entanto, o que acontece na prática real do capitalismo às vezes é bem diferente. Com o estabelecimento de uma classe proprietária e de uma classe trabalhadora, a distribuição da riqueza se torna extremamente desigual. Quando o trabalhador depende de capitalistas para seu sustento, a desconfiança, raiva e o mal-estar podem se desenvolver. Essas verdades básicas levaram ao fim do capitalismo puro ao redor do mundo. O que hoje chamamos de capitalismo é, na verdade, uma economia mista. A exclusão do governo da economia simplesmente não funcionou. A quebra da bolsa de valores e a Grande Depressão subseqüente trouxeram mais mudanças. O New Deal da administração de Franklin Roosevelt criou empregos e despejou dinheiro do governo na economia para tentar acabar com a depressão. O Congresso aprovou a Lei da Previdência Social (em inglês), que eliminava o controle completo do trabalhador sobre o seu salário. A retenção obrigatória do pagamento era feita para proteger os trabalhadores dos altos e baixos naturais do capitalismo. O seguro-desemprego obrigatório também fazia o mesmo. Nos anos 30, o Economista britânico John Maynard Keynes publicou uma nova opinião sobre o capitalismo. Keynes acreditava que a intervenção do governo poderia ajudar a estabilizar uma economia capitalista. Ao variar os impostos e gastos e manipular as taxas de juros, o governo pode manter o nível de oferta de dinheiro e proteger a economia dos períodos de "alta e de baixa" inerentes ao sistema capitalista.As teorias econômicas de Keynes contribuíram para que o Congresso dos Estados Unidos aprovasse a Lei do Emprego de 1946, que colocava a responsabilidade da estabilidade econômica diretamente nas mãos do governo federal. Com isso, a economia laissez-faire estava oficialmente morta nos Estados Unidos. Ninguém sabe o que futuro reserva para a economia em expansão. O "mercado" agora é o mundo todo. A China, que foi o último grande país a manter um sistema econômico Marxista, introduziu nas últimas décadas elementos do capitalismo à sua economia, a fim de se unir ao mercado mundial. Tradicionalmente, os países capitalistas como a Grã-Bretanha, o Canadá e os Estados Unidos introduziram restrições sobre as atividades econômicas, a fim de promover o bem social geral A necessidade de cuidados com saúde universal nos Estados Unidos sugere uma oscilação adicional em relação ao ponto de vista econômico do socialismo de que o interesse próprio individual não necessariamente leva ao bem-estar social geral. Sem economias puramente capitalistas ou puramente planejadas entre os maiores participantes financeiros do mundo e com a expansão de acordos comerciais de longo alcance, o futuro da economia parece apontar para um mercado amplo que, pelo menos economicamente, apaga as fronteiras nacionais e conecta o mundo por meio da mobilidade financeira.
Julia Layton.  "HowStuffWorks - Como funciona o capitalismo".  Publicado em 11 de março de 2008  (atualizado em 16 de junho de 2008) http://pessoas.hsw.uol.com.br/capitalismo.htm  (19 de setembro de 2010)

2 comentários:

Obrigado!
Sua participação é muito importante.
rar.